Desde o período da redemocratização brasileira, temos visto uma sequência de mudanças partidárias; como trocas constantes de nomes, trocas de lideranças no comando, junções com agremiações de espectro similar, em tentativas de ampliar a competitividade eleitoral, acesso a maior valor de fundo eleitoral, tempo de horário político. Quase sempre, as siglas grandes engolindo as menores. Dessa união decorre o que é a marca dos partidos brasileiros; a diversidade e autonomia interna. Em diferentes estados, o partido apoia governos e candidatos distintos, inclusive de campos ideológicos opostos.
Quem conhece a dinâmica política sabe que o período entre a realização das convenções e o registro das candidaturas é marcado por intensa fluidez, num cenário que permanece aberto. Decisões que hoje parecem definitivas podem ser revistas, candidaturas são confirmadas ou retiradas, alianças são revistas e as negociações se intensificam. O calendário eleitoral foi concebido exatamente para permitir essas acomodações, composições e ajustes finais. Antes do fechamento desse ciclo, espanto e euforia costumam ser emoções prematuras diante um processo que ainda está em construção.
Maurice Duverger, cientista político e sociólogo francês explica que esse nesse ciclo, o comportamento político decorre da lógica das coalizões, quando os partidos não buscam apenas afirmar sua identidade, mas ampliar influência política e ter chances reais de vitória. Quando o partido percebe que sua candidatura é inviável, pode considerar racional apoiar um candidato de outra legenda para preservar espaço ou evitar a eleição de um adversário.
No Brasil, esse fenômeno é muito frequente, apesar de ter preço e consequências e ocorreu na convenção do União Brasil em Mato Grosso, trata-se de um exemplo de coalizão pragmática, em que o partido considera mais vantajoso apoiar um candidato externo do que insistir em uma candidatura própria. Sob a perspectiva da ciência política, o erro pode estar no método, na falta de diálogo, na comunicação precária, entre outras atitudes internas que foram noticiadas.
Vencer uma eleição é apostar no acerto da convenção até o dia da eleição, numa convergência honesta de todos, mirando o mesmo objetivo. Há histórias de palanques pesados com importantes figuras políticas e empresariais do estado, apoiando, sem convicção, candidaturas que pareciam fadadas ao sucesso para a prefeitura de Rondonópolis em 2008 e 2012. 2008, a reeleição de Adilton Sachetti não merecia preocupação da cúpula. José Carlos do Pátio derrotou o prefeito.
Em 2012, 12 partidos coligados apoiavam Ananias Filho e outros tantos que nem foram formalizados em coligações partidárias, lideranças políticas relevantes, como: Adilton Sachetti, secretários municipais, Wellington Fagundes, Rogério Salles, quase totalidade da Câmara de Vereadores, Luiz Pagot e pouca participação de Blairo, a maior liderança do partido no Estado, além do governador Silval Barbosa. O cenário pode ser resumido da seguinte forma: do outro lado, Percival Muniz, venceu a eleição.
Há partidos organizados em grande estrutura financeira, cujos candidatos são derrotados. O excesso de personalidades pode tornar o palanque pesado e desfocar a identidade do candidato. Poderiam ter repensado o candidato em 2012, equilibrado o tamanho do palanque, mas insistiram em manter o que não é imutável e se calaram na convenção.
Sendo que, em geral, a história eleitoral brasileira é marcada por reacomodações de última hora e a experiência demonstra que rearranjos de forças políticas costumam acontecer na reta final, conforme a evolução das conversas entre as lideranças. E nem diria que isso é um sinal de instabilidade.